Sempre que se viam o desejo trancendia a realidade, a empolgação era inevitável, como se o sangue corresse mais forte entre veias, uma alegria misturada com querer, era uma sensação que acalentava a alma.
Procuravam a compostura pra tentar disfarçar a euforia de se vêem misturada com o desejo de ter um ao outro, mas só encontravam a displicência a loucura que fazia daquele momento único...mágico...desesperador.
E a medida que ficavam sem se ver, a tensão só aumentava e a saudade se tornava necessária quase que emergencial...
E no momento em que se viam as palavras eram tomadas por um silêncio inebriante, que os faziam felizes, completos... Saudade era pouca, era preciso mais... era necessário sentir... ter... possuir um ao outro para que a falta feita anteriormente fosse decepada nem que fosse por instantes, pois sabiam que ela não tardaria pra voltar mais forte e dominante.
Fugir... Não queriam fugir... Queriam matar o desejo do peito que ansiava desesperadamente pela presença... do calor... da voz que se escutava abafada no ouvido.
Às vezes achavam que o que sentiam era loucura, mas se fosse tudo loucura então seriam dois loucos, porque ambos compartilhavam das mesmas e sentiam falta de tudo. Também não sabiam aonde tudo chegaria, mas não queriam pensar, não havia pressa.
Queriam amar... Se apaixonar... ser felizes...voar...
Não pretendiam parar, não existia um nome para o que sentiam, e nunca pararam pra rotular, achava que dando um nome se perderia a emoção, o gostar a empolgação... E no lugar ficariam os compromissos, as regras, a intolerância a falta de compreensão.
E o gostar se perderia entre tantas minuncias...
Tinham plena consciência que nem tudo seria pra sempre, e por isso a todo momento reforçavam os afetos, os carinhos, os segredos.
Ficariam assim até o dia que restassem apenas as lembranças... as fotos... A saudade...
E doeria tanto...
Mas não seria um martírio, porque se lembrariam das vezes que se fez silêncio, das palavras que não podiam ser ditas e que foram explícitas em olhares, dos risos, dos carinhos e das loucuras que juntos foram capazes de realizar, então nesse momento sentirão uma alegria contagiante, será como se voltassem ao tempo e revivessem tudo outra vez...
Mas hoje não vão se apegar ao que pode acontecer. Aida não... Porque ainda precisam freneticamente se inundar desse vulcão de emoções, se envolver entre desejos e matar toda a vontade o querer ...
Até o dia em que restar apenas as lembranças a saudade...
E tudo será imortal.

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